Personagens da Várzea Santista por Diego Viñas

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Diego Viñas

Último ano do Saldanha?
O campo de futebol do Clube Saldanha da Gama deve acabar brevemente. Segundo informações de frequentadores e diretores dos times que participaram do festival no feriado, o espaço foi comprado por um empresário e está garantido só até dezembro. Jair Siqueira, organizador do evento, disse que ontem deve ter sido o último evento do Dia do Futebol de Várzea no espaço. “Infelizmente Santos pode perder mais um campo de futebol amador. Não sabemos ainda como será ano que vem, mas garanto que teremos festival”, disse Siqueira.

Personagens ilustres
Uma das lendas da várzea santista, o famoso jogador Quim, marcou presença no festival e, aos 78 anos, confessou que sente muita falta dos seus tempos de futebol. “Aqui na cidade de Santos tinha uns 70 campos de futebol e muitos times. Eu pagaria para ver tudo aquilo de novo”, declarou.

E nas arquibancadas, personagens únicos davam o ar da graça para o festival. Um deles foi jogador do Estiva e ficou durante todo o jogo gritando no ouvido de seus atletas em campo, à beira do alambrado. Jairo Gomes, de 55 anos, foi durante 20 anos estivador no Porto de Santos e contou que o time do Estiva foi fundado por trabalhadores do cais. “Tive que parar porque quebrei meu braço duas vezes e tive um problema na vista. Eu era goleiro e imagine alguém pegar no gol com problema no braço e na visão! Não dá né amigo?”, disse e gargalhou Jairo.

Já outra torcedora bem conhecida da várzea santista é Onívia Cardoso, que todos conhecem por Biba. Aos 75 anos, ela se diz apaixonada pelo time do Barreiros. “Amo esse time desde que nasci. Minha mãe foi a primeira madrinha do time, meu pai jogou e meus irmãos também”, disse. Entre um grito e outro, Biba deixava escapar um palavrão, mas ela logo se justificou. “Não estou na igreja, estou no campo”. Para ela, que não parava de chamar a atenção dos seus “meninos” em campo, futebol é muito mais divertido do que ir ao cinema, por exemplo. “Cinema é chato, eu durmo”.

Já em campo esteve um membro do Comitê de Gestão do Santos Futebol Clube, Pedro Luiz Nunes, que também tem seu apelido no futebol. “Pessoal me chama de Pedrinho, mas só aqui que as pessoas me conhecem assim”, disse o gestor, que vestiu a camisa do Vasco da Gama do Macuco durante o festival. Para Pedrinho, o Santos e o futebol amador são dois importantes representantes da cidade. “Tanto o time profissional como os festivais de várzea acabam contando a história de Santos. Futebol é uma paixão e a várzea santista é ainda muito rica”, disse.

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A Tribuna

O guardião da várzea santista

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