Dia da Várzea 2013 por Diego Viñas

Alviverde F.C. - Dia da Várzea 2013 por Diego Viñas

 

Velha guarda faz a festa no Dia do Futebol de Várzea

Diego Viñas

Mais de 1,4 mil pessoas estiveram ontem no Clube de Regatas Saldanha da Gama, na Ponta da Praia, em Santos, durante a terceira edição do Festival do Dia do Futebol de Várzea. Na programação, dez times entraram em campo durante toda a manhã que seguiu por uma agradável tarde na Baixada Santista. O organizador e idealizador do evento, Jair Siqueira, dono do site www.varzeasantista.com, pretende fazer deste feriado conhecido apenas como o Dia do Trabalhador um marco também para a história do futebol na cidade. “O Dia do Futebol de Várzea se tornou projeto de lei em 2011 pelo vereador Arlindo Barros (PSDB) para fazer parte do calendário oficial do município”, disse Siqueira, que explicou ainda uma das características típicas do futebol de várzea santista. “Aqui é normal o pessoal jogar descalço e sem caneleira. Tem uns jogadores que usam uma sapatilha ou até meia, mas não é por frescura, não. É para evitar alguma lesão mesmo”.

Antes do primeiro jogo do festival, ainda com uma manhã de garoa e temperatura amena, aconteceu uma partida conhecida como “enxuga grama”, com vitória do Grêmio dos Veteranos sobre o Saldanha B por 3 a 1. “Enxuga grama é aquele jogo que serve para secar o sereno da madrugada. Para preparar o terreno para os próximos jogos”, explicou o descontraído Jair Ibrahim, de 69 anos, que jogou muito pela várzea de São Vicente e Santos, mas que só ficou como torcedor durante o dia.

O festival contou com a participação de pelo menos 150 jogadores com mais de 50 anos. O mais experiente que entrou no gramado foi Odair Martins, de 73 anos. “Mas todo mundo me conhece como Pinga. Joguei hoje (ontem) só uns 20 minutos pelo Yale e saí de campo”, contou. Seu time, aliás, foi o primeiro a vencer na programação oficial do festival. Com dois gols de cabeça do atacante Waldemar (com dáblio, fez questão de frisar), o Yale do Macuco bateu o Alviverde de Aparecida por 2 a 0. “São dois times de tradição. O Alviverde era um time infantil que só durou de 1960 a 1968. Só que hoje, as crianças já são os veteranos”, brincou Siqueira, ao explicar a história dos times.

Com 1,70m, o autor dos dois gols de cabeça para o Yale, Waldemar, disse que o segredo para se destacar na defesa adversária é posicionamento. “Não importa que não sou alto. Tudo bem que no primeiro gol o nosso meia disse que chutou no gol. Mas eu estava lá, preparado para qualquer imprevisto. Fui oportunista e mandei pra dentro”, tirou onda o camisa 21 do Yale ao fim da partida.

Depois da vitória do Yale, foi a vez do Estiva, time do Sindicato dos Estivadores de Santos, São Vicente, Guarujá e Cubatão, vencer, ou melhor, golear. O time rubro negro bateu o Saldanha por 4 a 1.

Daí para frente foram mais três empates que tiveram de terminar com cobrança de pênaltis. O S.E Barreiros, time de 1948, ficou no zero a zero com seu antigo rival, Vasco da Gama do Macuco. O treinador do Vasco, Clodoaldo Barbosa, vulgo Aldo, 65 anos, lembra dos grandes jogos entre os dois times na época em que havia 12 campos na região do Canal 5. “Era um campo atrás do outro que ficavam entre as avenidas Pedro Lessa e Epitácio Pessoa”, disse Aldo, que viu seu time fazer 7 a 6 nos pênaltis sobre o Barreiros depois dos 60 minutos sem gols. O árbitro que apitou a maioria dos jogos, Luis Fernandes, conhecido como Puma, explicou que no veterano são dois tempos de 30 minutos. Além disso, o respeito é maior com os mais experientes. “Esses jogadores já sabem como as coisas funcionam. Quase nunca tem briga e é bem mais fácil do que apitar várzea da molecada. Os mais jovens estão muito folgados hoje em dia”, disse Puma.

O outro empate foi o 2 a 2 entre o Juventude e o Itapema do Guarujá. Com vitória de 6 a 5, o Juventude levou a melhor nas penalidades. O último jogo também acabou sem gols, mas o Casa Branca do Morro venceu o Jardim Casqueiro de Cubatão por 4 a 3 nas cobranças de pênaltis, fechando o dia, como qualquer festival de várzea, atrasado pelo menos umas três horas.

Texto e fotos cedidos por Diego Viñas, jornalista paulistano, especializado em futebol de várzea.

7 Comentários + Comente

  • BLZ SÓ FALTOU A FOTO DO JUVENTUDE.

  • Irreparável o evento e no tempo exato .

  • Pura emoção!

  • Excelente festa.

  • Meus amigos foi um festival de profissionais da Varzea, não teve um descontentamento, rolou na maior harmonia, antigos jogadores juntaram-se aos varzeanos muito legal e tive o privilégio de fazer o time do Vasco do Macuco, conseguir juntar alguns ex jogadores profissionais e alguns que tinham jogado no próprio Vasco abraços

  • Quero parabenizar a todos os organizadores em especial vc Jair Siqueria por mais este dia especial da Varzea Santista e agradecer a todos os jogadores e torcedores por este dia maravilhoso, vlw…..

  • Mesmo estando longe não deixo aconmpanhar tudo que acontece na nossa varzea através do site. Quero agradecer pela excelente materia principalmente falando muito bem do mano Waldemar (Tutu) que guardou dois. Também parabenizar a todos em especial ao Jair Siqueria por mais este dia especial da Varzea Santista e aos antigos companheiros de de XI Santista do Macuco, Chico, Oreco, Osni e ………. Bada….

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